Mercado

Publicada em: 17/12/2009 às 17:26

Para ANJ, pauta da Confecom teve tom de retrocesso

A 1ª edição da Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) não contou com a adesão de entidades importantes dos meios de mídia, como a ANJ (Associação Nacional de Jornais). A executiva Judith Brito, presidente da associação, considerou que a pauta do evento teve um tom de retrocesso. Confira entrevista exclusiva com a executiva:

O que mais motivou a ANJ a não participar da Confecom?
A pauta. Sabíamos que seria um retrocesso voltar a discutir assuntos tão claros para nós, como é o da liberdade de expressão. Se estamos numa democracia, então precisamos praticar seus preceitos, e não retroceder com tentativas de conter a liberdade de expressão, como querem alguns poucos grupos. Esta, a liberdade de expressão, está na constituição e é inegociável.

A aprovação, como sugestão ao presidente Lula, dos Conselhos de Jornalismo e de Comunicação fere a liberdade de expressão?
Sem dúvida. Trata-se de retornar a um assunto que já foi refutado antes. Em 2004, já tivemos a tentativa de imposição do Conselho Federal de Jornalismo, quando o presidente Lula encaminhou ao Congresso projeto de lei para a criação de órgão com a função de "orientar, disciplinar e fiscalizar" a atividade jornalística. Havia, inclusive, a previsão de punição de jornalistas. O tal Conselho também se prestaria a "zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe". Para o exercício da profissão, o jornalista deveria estar inscrito num Conselho Regional de Jornalismo. O risco era óbvio: quem não se enquadrasse nos moldes de tal Conselho, ou a certas predisposições políticas, não estaria autorizado a exercer a profissão. A atividade jornalística presupõe liberdade de expressão, não tutela, muito menos a governamental. A reação da sociedade ao projeto de 2004 felizmente fez com ele fosse sepultado. A tentativa de ressuscitar a ideia já seria grave por si. Quando se vê os abusos ocorridos contra a imprensa em diversos países latino-americanos, a questão passa a exigir da sociedade um grau de alerta ainda maior. Governos que se dizem democráticos precisam ter a maturidade de conviver com a crítica, e não pensar em abafar a pluralidade de pensamento a cada vez que ocorrem manifestações diferentes da oficial.

por Paulo Macedo

admin